Tem na Barca: A conta-gotas

A escolha do título determinou toda a carpintaria do texto: estrutura, ritmo, vocabulário, enredo, emoção. Ou foi o contrário? Não importa, tudo vem a conta-gotas: o ritmo da narrativa, intercalando capítulos de tamanhos diferentes, com muita propriedade, estrutura o texto de forma perfeitamente adequada ao conteúdo. O livro inicia com a narradora explicitando a história e o modo como ela será narrada: “A conta-gotas. Pacientemente. Com persistência. Foi desse modo que conheci minha mãe”. E em nenhum momento isso será quebrado: a menina de 11 anos cresce aos olhos do leitor com o medo, as dúvidas, a coragem, a raiva, o amor, emoções que também crescem ao ritmo das suas decisões e de sua maturidade. A construção psicológica dessa menina-moça-mulher que resgata a história que lhe fora negada, a da relação com a mãe, é exemplar. E, mais que tudo, a autora demonstra muito bom domínio da linguagem literária e do processo de criação ficcional, apresentando uma voz narrativa convincente, equilibrada, sedutora.

a conta gotas

 

 

A conta-gotas

Ana Carolina Carvalho

Edições SM, 2015

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