TRASH

Trash. Andy Mulligan. Trad. Antônio Xerxenesky. Cosac Naify. 

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A história se passa no lixão fictício de Behala, inspirada num lixão que o autor conheceu nas Filipinas e o protagonista nasceu a partir de um menino de rua de Calcutá, nos diz o escritor no final do livro. Isso só comprova a impressão que se tem ao ler o livro ainda sem essas informações: o lixão poderia ser o de qualquer metrópole do mundo e Raphael com ph poderia ser indiano, filipino, brasileiro… Assim como Rato, Gardo, Olívia e o padre da missão. Também os policiais, os políticos, a corrupção, a tortura, o submundo dos que vivem do lixão, os bairros milionários, a extrema desigualdade social, são encontráveis aqui e acolá. A inteligência dos garotos, a coragem criada e aumentada pela necessidade e a fome de viver, a solidariedade humana, são ressaltadas pela escrita ágil, os cortes, a narrativa contada pelo ponto de vista de cada narrador, sem quebra da sequência lógica. Um romance policial da melhor cepa, com mistério, aventuras e códigos revelados – e ensinados – ao jovem leitor, que certamente não largará o livro até o final.  Uma literatura que oferece, sem pieguismo, oportunidade de “calçar os sapatos de outrem”. Mesmo que esses andem descalços.

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