O Peixe Mágico

 Era uma vez e ainda é, uma cidade à beira-mar que tinha um grande museu, com quadros de pintores famosos e conhecidos e outros menos conhecidos e da melhor qualidade; mas o preferido das crianças era o quadro de um peixe amarelo sobre um fundo azul, cor de mar, que encantava a todos que visitavam o museu. Às crianças, então, o peixe encantava de modo especial: quando não havia ninguém olhando, as crianças chegavam perto e acariciavam o quadro. Neste momento, o peixe depois de arregalar os olhos redondos, se movimentava e ficava todo iluminado, parecendo rir para as crianças.

Ali perto do quadro ficava uma fonte, que era uma espécie de aquário com peixinhos vermelhos e que achavam o peixe dourado muito esquisito, porque várias vezes tentaram chamá-lo, pois queriam conversar com ele, mas ele não respondia.

Um dia, porém, um guarda tirou o quadro da parede para a limpeza e encostou perto da fonte. Os peixeinhos começaram a chamá-lo em voz alta, convidando-o para brincar. Num instante, o peixe mágico brilhou muito e, num movimento certeiro, atirou-se para dentro da fonte.

Aqui começa uma grande aventura, pois na fonte dos peixinhos vermelhos tem um canal que se comunica com o mar aberto. E não precisa saber italiano para ler e acompanhar suas fantásticas aventuras, pois as imagens de STEPHAN ZAVREL, um dos principais criadores da ilustração como obra de arte para crianças, desde a década de 60 do século passado e mantido até hoje nos encontros internacionais de ilustradores na cidade de Sármede/Itália, fizeram deste boemo de Praga, domiciliado na Itália, um dos principais criadores da pedagogia da imagem na sua plenitude: a imagem fala, através da arte.

Depois de tantas aventuras – vitoriosas – o peixe mágico foi convidado pelos inúmeros e diferentes habitantes do fundo mar, para ficar morando com eles, como um deles. O peixe agradeceu porque ele não pertencia ao povo do mar, mas morava num quadro de um museu e precisava saber como estavam às crianças que o visitavam e que ele gostava tanto: precisava saber se essas crianças precisavam dele. Resolveu retornar e todos compreenderam que ele precisava saber o que iria decidir.

Acompanhado dos peixeinhos vermelhos, voltou para a fonte do Museu e ficou observando a tristeza das crianças que, saudosas, lamentavam a sua ausência. Decidiu ficar ali, pois aquele era o seu lugar e, naquela noite, quando um raio da lua entrou pela fresta da janela como um arco, ligando a fonte ao centro da moldura do quadro, o peixinho iluminou-se e num movimento rápido e certeiro, atirou-se da fonte para o centro da parede, onde está até hoje, iluminando-se e sorrindo para as crianças que vão visitá-lo.

Inspirado no mundo pictórico de Paul Klee e em especial no seu Peixe Vermelho, a história do Peixe Mágico é uma das concorrentes ao prêmio Soligatto, 2012, na Itália, como um dos dez melhores livro infantis, escolhidos pelas próprias crianças.

Como bem salienta Marina Tonsig na apresentação do livro e responsável pelo Spazio Brassà que contém as obras de arte do artista ilustrador, a primeira galeria de arte que uma criança pode visitar (citando Kevêta Pacovská) é o livro ilustrado e, neste caso, de um modo especial, por tratar-se do criador da cidade de fábulas em Sármede , onde se reúnem artistas do mundo inteiro para tratar de suas ilustrações, de suas obras de arte para o mundo da infância.

O Peixe Mágico – è um libro  bohen, 2010
– Il  Pesce Magico der Zauberfusch, 1966
Autor: Mafra Gagliardi
Ilustração: Stepan Zavrel

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