Sábado na livraria

Qual é o dia em que as crianças vão com mais frequência à livraria? Lá na França é às quartas-feiras, mas aqui no Brasil isso acontece geralmente aos sábados, e esse foi um dos motivos para que o livro da suíça Sylvie Neeman tivesse seu título alterado na tradução para a língua portuguesa de Mercredi à la librerie (2007), para Sábado na livraria (Cosac Naify, 2010). O livro constitui-se em uma narração em primeira pessoa, de uma menina que observa um velho que vai todos os sábados a uma livraria e lê um pouquinho de um livro sobre a Guerra do Marne. Embora a história pareça ter uma linearidade contínua, morna, as descrições feitas ao velho, pela narradora, são sempre acompanhadas por comentários comparativos resultantes da discrepância etária: “Eu e ele não lemos as mesmas coisas. Prefiro histórias em quadrinhos. Eu leio rápido. Em menos de uma hora, já acabei. Ele lê mais devagar. E seu livro é mais grosso” (2010, s/p). Da amiga ocular próxima e distante, observações atentas: “Na mesinha ao lado da poltrona do velho senhor, ela [a dona da livraria] deixa várias balas. Eu também pude pegar algumas. Para abrir a bala, ele demorou bastante” (2010, s/p). O livro, ilustrado com tinta guache, tons pastéis e traços finos, tem um tom melancólico, de olhar a velhice com diferença, mas com compaixão, entendimento, compreensão.

Título: Sábado na livraria
Autora: Sylvie Neeman
Tradutora: Cássia Silveira
Editora: Cosac Naify

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