Quem é a FNLIJ – Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil

O Núcleo de Estudos e Pesquisas da Barca dos Livros está de alguma forma ligado à Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ por meio de nossa diretora, Tânia Piacentini. Para entender melhor estas relações, entremos um pouco na história. Ou melhor, sobrevoemos a pré-história da Fundação, comentando o livro UM IMAGINÁRIO DE LIVROS E LEITURAS –  40 ANOS DA FNLIJ.

A FNLIJ, por sua vez, é ligada ao IBBY –International Board on Books for Young People, uma organização da UNESCO fundada em 1953 pela bibliotecária e escritora alemã Jella Lepman (1891-1970).

Durante a II Grande Guerra, Jella, que era de origem judia, exilou-se em Londres onde passou a trabalhar na embaixada americana, como conselheira para questões relativas à mulher e à infância.

Ao final da guerra, Jella retornou a seu país e começou a construir o que se tornaria depois a Biblioteca Internacional da Juventude, instalada em um castelo renascentista de Munique que resistira aos bombardeios. Inicialmente, Jella escreveu a diversas embaixadas expondo a situação das crianças que via perambulando pelas ruínas da cidade e pedindo doações de livros. Com sua ajuda o pessoal da biblioteca de Munique organizou a grande quantidade de livros recebidos e as crianças alemãs puderam ter acesso a imagens de outras culturas, a histórias diversas em vários idiomas e a vislumbrar terras de paz.

O castelo cedido pelo governo da Baviera foi recuperado e a biblioteca montada com recursos da Fundação Rockefeller e da cidade de Munique. Além dos livros, havia hora do conto, oficina de desenho e de música e a presença constante de autores e ilustradores que iam conversar sobre suas obras com os freqüentadores.

Com a idéia de criar laços entre nações através dos livros para crianças, em busca da paz universal, foi criado formalmente o IBBY, com a participação de representantes de 21 países e com ajuda da UNESCO, da Alemanha, da Áustria e da Suíça.

Em 1956 foi outorgado pela primeira vez o Prêmio Hans Christian Andersen e em 1966 foi instituído o Dia Internacional do Livro Infantil, a 2 de abril, aniversário de nascimento do patrono mundial da literatura para crianças.

A idéia de se criar, no Brasil, uma instituição promotora da literatura infantil germinou quando a seção da Espanha sediou o congresso da IBBY e convidou todos os países latino-americanos para o evento.

A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil foi criada em maio de 1968, como seção brasileira da IBBY, e seis anos depois o Rio de Janeiro sediou o congresso. Dentre os cerca de 250 sócios atuais, que pagam R$50,00 por ano, estão professores, bibliotecários e autores, além de 60 editoras que são sócias mantenedoras.

O Prêmio “O Melhor para a Criança” foi criado pela FNLIJ em 1974 e ao longo dos anos foram introduzidas outras categorias na premiação, que vieram a prestigiar traduções, ilustrações, projetos gráficos, etc.

Inicialmente o júri era composto por quatro ou cinco pessoas que trabalhavam na Fundação. Hoje, cerca de 30 pessoas participam como votantes, em todo o Brasil, julgando dezesseis categorias. Especialistas, professores universitários que se dedicam à literatura infantil, são convidados e, anualmente, recebem os livros das editoras para análise.

Tânia Piacentini, uma das votantes da fundação, juntou os livros recebidos ao longo dos anos aos de sua biblioteca particular para compor o acervo inicial da Biblioteca da Barca dos Livros. Algumas pessoas, membros da Sociedade Amantes da Leitura, que desenvolve o Projeto Barca dos Livros, vêm colaborando com Tânia na análise dos livros e, a partir de 2009 passaram a compor o Núcleo de Estudos e Pesquisas da associação.

No plano internacional, a FNLIJ participa de duas importantes realizações: a Bienal de Bratislava e a Feira de Bolonha.

A Bienal Internacional de Bratislava-BIB reúne originais de ilustrações de livros infantis e juvenis enviados pelas seções nacionais ou pelos ilustradores interessados. Há diversos prêmios concedidos por um júri internacional convidado pela organização da BIB.

A Feira de Bolonha ocorre todos os anos na cidade de Bolonha, Itália. Recebe apenas editores, autores, ilustradores e tradutores. Os estandes são comprados pelos países interessados, que organizam as exposições. No Brasil, a FNLIJ seleciona os livros enviados, organiza um catálogo em inglês e estimula a participação de editores, autores e ilustradores.

No âmbito nacional, o primeiro grande empreendimento da Fundação foi um programa de distribuição de livros de literatura infantil e juvenil para escolas carentes: a Ciranda de Livros, que recebeu Menção Honrosa do Prêmio de Alfabetização da UNESCO.

Os concursos organizados pela Fundação para identificar e dar publicidade aos diversos programas de incentivo à leitura junto ao público infantil e juvenil são:

Concurso FNLIJ / Petrobrás: premia os melhores programas de incentivo à leitura junto a crianças e jovens. (A Barca dos Livros concorreu em 2006 ficando em segundo lugar).
Concurso FNLIJ Leia Comigo!: enfatiza a importância da leitura literária e informativa.
Concurso FNLIJ Curumin: estimula os professores a desenvolver junto a seus alunos a leitura de livros de literatura para crianças e jovens de autores indígenas.
Concurso FNLIJ Tamoios: fortalece a produção de obras literárias de autoria indígena para crianças e jovens.

A Fundação promove também, desde 1999, o Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, na cidade do Rio de Janeiro.
As categorias atuais do Prêmio Anual da FNLIJ, com a data de início de outorga, são:

Prêmio Ofélia Fontes – O Melhor para a Criança, 1974
Prêmio Orígenes Lessa – O Melhor para o Jovem, 1978
Prêmio Luis Jardim – O Melhor Livro de Imagem, 1981
Prêmio Monteiro Lobato – A Melhor Tradução, 1988, adaptação-criança, adaptação-informativo, adaptação-jovem, adaptação-reconto
Prêmio Malba Tahan – O Melhor Livro Informativo, 1990
Prêmio Odylo Costa Filho – O Melhor Livro de Poesia, 1992
Prêmio Revelação Escritor, 1992
Prêmio Revelação Ilustrador, 1993
Prêmio Glória Pondé – O Melhor Projeto Editorial, 1993
Prêmio A Melhor Ilustração, 1994
Prêmio Gianni Rodari – O Melhor Livro Brinquedo, 1997
Prêmio Lucia Benedetti – O Melhor Livro de Teatro, 1997
Prêmio Cecília Meirelles – O Melhor Livro Teórico, 1999
Prêmio Figueiredo Pimentel – O Melhor Reconto, 2000
Prêmio Henriqueta Lisboa – O Melhor Livro de Literatura Portuguesa, 2005

A publicação UM IMAGINÁRIO DE LIVROS E LEITURAS; 40 ANOS DA FNLIJ. Rio de Janeiro, 2008, é uma excelente fonte de consulta para quem quiser aprofundar-se na história, na forma de organização e nas atividades da Fundação.

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