Os Três Cães Negros

por Raphael Novaresi Leopoldo

AMOR SINCERO E AMIZADE DESTEMIDA

uma menina valente contra a maldade

Desde 2009 os leitores de boas estórias infantis, de pouca ou muita idade, têm à mão Os três cães negros[2], da ilustradora e agora também autora Elisabeth Teixeira, bastante conhecida no gênero em voga. O livro, lançado com selo da Larousse Júnior, possui 48 páginas com ilustrações. Maria, menina de uma pequenina vila praieira, tem seus três cães desgraçadamente amaldiçoados por uma vizinha com características de bruxa. Buscando curá-los, a pequena percorre um longo caminho até o longínquo e crido gelado e impetuoso Vento do Norte, que guarda um curioso segredo. De encontro aos obstáculos, além da amizade e amor a seus animais, a meiga protagonista conta com um antigo e poderoso amuleto ganho de sua bondosa avó. Narrado em segunda pessoa, a prosa é criativa, possui rico vocabulário e já está conforme o acordo ortográfico último. Se relativamente denso para uma estória infantil, o texto não chega a ponto de cansar pequenos leitores, pois é, de modo acertado, cadenciado pelas gravuras que parecem surgir nos momentos certos. Educativa, a estória ensina, por exemplo, que uma criança não deve sair de casa pela manhã sem o desjejum e quebra o estereótipo de que bordado é ofício feminino. Parece interessante que os cães, animais tidos como símbolos do mal, apresentam-se como amigos e representação do afeto. Há também a personificação da natureza e relacionamento claro com suas forças (o Vento do Norte, a Água Cristalina), que se localizam sempre no alto, típica – e mantida – morada de entidades ou poderes do bem. Os ritos (línguas estranhas) e sacramentais (pedrinha verde, canequinha de prata) são utilizados por ambas as forças, bem e mal, mas cada qual a seu modo. As várias e ilustrações, ricas em detalhes, como a sombra dos retratados, lembram harmoniosas aquarelas e podem dar noção do porquê Teixeira é sempre bem recebida pela crítica. Os desenhos mesclam sobretudo imagens de página inteira – em cores tanto quentes quanto frias, sintonizadas com o “clima” da narração – bem como pequenas figuras em canto de página – em elegante monocromo.


[1] Graduado em Letras pela Unesc e aluno especial do Programa de Pós-Graduação em Literatura da UFSC.

[2] TEIXEIRA, Elisabeth (texto e ilustrações). Os três cães negros. São Paulo: Larousse do Brasil, 2009, 48 p., il.

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